
O câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no Brasil e no mundo, desconsiderando os tumores de pele não melanoma. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados cerca de 73 mil novos casos por ano no país. Embora seja muito mais frequente nas mulheres, ele também pode atingir homens, que respondem por cerca de 1% dos casos.
Por trás desses números, há uma boa notícia: quando o câncer de mama é identificado em fases iniciais, as chances de cura e de tratamentos menos agressivos são muito maiores. Além disso, parte dos casos está relacionada a fatores que podem ser modificados por meio de hábitos de vida, como alimentação, atividade física e consumo de álcool.
Por isso, o Outubro Rosa, movimento internacional de conscientização sobre a doença, reforça uma mensagem simples e poderosa: informação também é cuidado. Conhecer os fatores de risco, adotar hábitos saudáveis e manter os exames em dia são atitudes que fazem diferença.
Entender como prevenir, quais sinais observar e qual o papel da nutrição nesse processo é primordial para cuidar da saúde das mamas em todas as fases da vida.
Por que a informação é tão importante?
O câncer de mama não tem uma causa única. Ele resulta da combinação de fatores genéticos, hormonais, ambientais e de estilo de vida. Alguns desses fatores não podem ser mudados, mas conhecê-los ajuda a definir o acompanhamento adequado. Outros podem ser modificados, e é justamente aí que a prevenção ganha força.
Entre os fatores que não podem ser modificados estão a idade, já que o risco aumenta principalmente após os 50 anos, e o histórico familiar de câncer de mama ou de ovário. Alterações genéticas, como as dos genes BRCA1 e BRCA2, também elevam o risco. O mesmo vale para a primeira menstruação antes dos 12 anos, a menopausa após os 55 anos, as mamas densas e a exposição prévia à radiação no tórax.
Já entre os fatores modificáveis estão o excesso de peso e a obesidade, sobretudo após a menopausa, o sedentarismo e o consumo de bebidas alcoólicas. A terapia de reposição hormonal prolongada e sem acompanhamento médico também aumenta o risco, assim como não amamentar, ter a primeira gestação após os 30 anos ou não ter filhos.
Ter um ou mais fatores de risco não significa que a pessoa terá a doença, assim como não ter nenhum deles não garante proteção total. O ponto principal é que se estima que cerca de 30% dos casos poderiam ser evitados com hábitos de vida saudáveis.
Prevenção no dia a dia: o cuidado começa nas escolhas
Alimentação equilibrada
Uma alimentação baseada em alimentos in natura e minimamente processados está associada a menor risco de diversos tipos de câncer, inclusive o de mama. Vale priorizar:
· frutas, verduras e legumes variados, de diferentes cores;
· grãos integrais, como arroz integral, aveia e quinoa;
· leguminosas, como feijão, lentilha, grão-de-bico e soja;
· fontes de gorduras boas, como azeite de oliva, castanhas, sementes e peixes.
As fibras ajudam a regular os hormônios e a manter um intestino saudável, enquanto frutas e vegetais fornecem compostos antioxidantes e anti-inflamatórios. Por outro lado, convém reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, carnes processadas (como embutidos), açúcares e excesso de gorduras.
Peso corporal saudável
Após a menopausa, o tecido adiposo passa a ser uma das principais fontes de estrogênio no organismo. Por isso, o excesso de gordura corporal, especialmente na região abdominal, está associado a maior risco de câncer de mama nessa fase da vida.
Álcool: quanto menos, melhor
O consumo de bebidas alcoólicas aumenta o risco de câncer de mama mesmo em pequenas quantidades. Não existe dose considerada segura, e o risco cresce conforme o consumo aumenta.
Atividade física
A prática regular de exercícios ajuda a controlar o peso, regula os níveis hormonais, melhora a imunidade e reduz a inflamação. A recomendação é de 150 a 300 minutos de atividade moderada por semana, como caminhada rápida, dança ou bicicleta, ou de 75 a 150 minutos de atividade intensa, combinados com exercícios de força.
Amamentação
Amamentar também é um fator de proteção. Quanto maior o tempo total de amamentação ao longo da vida, maior o benefício para a mãe, além de todas as vantagens para o bebê.
Detecção precoce: o diagnóstico que faz a diferença
Nem todos os casos de câncer de mama podem ser evitados. Por isso, além dos hábitos saudáveis, é fundamental identificar a doença o quanto antes, quando o tratamento tende a ser mais simples e eficaz.
Autoconhecimento das mamas
Observar e tocar as próprias mamas no dia a dia, no banho ou ao trocar de roupa, ajuda a mulher a conhecer o aspecto normal do seu corpo e a perceber qualquer mudança. O autoconhecimento não substitui os exames, mas é um importante aliado para buscar avaliação médica no momento certo.
Exame clínico
Realizado pelo médico ou profissional de saúde durante as consultas de rotina, o exame clínico das mamas avalia nódulos, alterações na pele e nos linfonodos das axilas.
Mamografia
A mamografia é o principal exame de rastreamento, capaz de identificar alterações antes mesmo de serem palpáveis. As recomendações sobre a idade de início e a frequência variam entre as instituições: o Ministério da Saúde prioriza a mamografia a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos e tem ampliado o acesso para a faixa dos 40 aos 49 anos, enquanto sociedades médicas, como a Sociedade Brasileira de Mastologia, recomendam o exame anual a partir dos 40 anos.
Mulheres com histórico familiar importante ou alterações genéticas podem precisar iniciar o rastreamento mais cedo e com outros exames complementares, como ultrassonografia e ressonância magnética. A melhor estratégia deve ser definida junto ao médico, de forma individualizada.
Sinais de alerta nas mamas
Algumas alterações merecem atenção e devem ser avaliadas por um médico:
· nódulo (caroço) endurecido na mama ou na axila, geralmente indolor;
· pele da mama avermelhada, retraída ou com aspecto de casca de laranja;
· alterações no mamilo, como retração, feridas ou descamação;
· saída espontânea de líquido pelo mamilo, especialmente se for transparente ou com sangue;
· pequenos nódulos nas axilas ou no pescoço;
· mudança no tamanho ou no formato de uma das mamas.
Na maioria das vezes, essas alterações não são câncer. Ainda assim, apenas a avaliação médica e os exames adequados podem confirmar o diagnóstico. Diante de qualquer mudança, o mais seguro é procurar atendimento, sem esperar pela próxima consulta de rotina.
Nutrição durante e após o tratamento
Quando o diagnóstico é confirmado, a nutrição continua sendo uma aliada importante. Cirurgia, quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia podem causar efeitos como náuseas, perda de apetite, alterações no paladar, fadiga, ganho ou perda de peso e perda de massa muscular. Um acompanhamento nutricional individualizado se baseia em três pilares:
Manutenção do estado nutricional: garantir energia e nutrientes suficientes ajuda o organismo a tolerar melhor o tratamento e reduz o risco de interrupções.
Preservação da massa muscular: uma ingestão adequada de proteínas, distribuída ao longo do dia e associada à atividade física orientada, ajuda a manter a força e a qualidade de vida.
Controle dos sintomas: ajustes na consistência, no volume e no horário das refeições ajudam a lidar com náuseas, feridas na boca e alterações intestinais.
Após o tratamento, manter um peso saudável, uma alimentação rica em vegetais e fibras e a prática regular de exercícios contribui para a recuperação e está associado a menor risco de recidiva.
Suplementação: o que a ciência diz
Até o momento, nenhum suplemento demonstrou prevenir o câncer de mama. A proteção vem do conjunto de hábitos saudáveis, e não de um nutriente isolado. Ainda assim, quando baseada em avaliação individualizada, a suplementação pode ter um papel importante em situações específicas:
Vitamina D: a deficiência é comum na população e pode ser corrigida com suplementação quando identificada em exames. Também é importante para a saúde óssea, especialmente em mulheres que usam determinadas terapias hormonais após o tratamento.
Cálcio: pode ser indicado quando a alimentação não supre as necessidades, sobretudo na pós-menopausa e durante tratamentos que afetam os ossos.
Proteínas: suplementos proteicos podem ajudar a atingir as metas diárias quando o apetite está reduzido, contribuindo para a preservação da massa muscular.
Ômega-3: pode contribuir para o controle da inflamação e para a manutenção do peso em algumas fases do tratamento, sempre com orientação profissional.
Alguns cuidados são importantes. Antioxidantes em altas doses podem interferir na ação da quimioterapia e da radioterapia, e suplementos à base de fitoestrogênios ou fitoterápicos podem interagir com medicamentos e com a hormonioterapia. Por isso, durante o tratamento, nenhum suplemento deve ser iniciado sem conversar com a equipe médica.
É importante destacar que a suplementação não substitui uma alimentação bem estruturada, e seu uso deve ser orientado por nutricionista ou médico.
Conclusão
A prevenção do câncer de mama vai muito além do Outubro Rosa. Manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física, controlar o peso, evitar o álcool e manter os exames em dia são atitudes que, juntas, reduzem riscos e aumentam as chances de um diagnóstico precoce.
Com informação de qualidade, acompanhamento profissional e atenção aos sinais do próprio corpo, cada mulher se torna protagonista da sua saúde. Afinal, quando o assunto é câncer de mama, informação também é cuidado, e cuidar de si é o primeiro passo.


